Photos

Photographer's Note

Como geralmente em todo o lado, quanto mais difícil o trabalho, mais baixo o salário. Em grande parte das desérticas ilhas de Cabo Verde há pouco mais que pedras. Estes trabalhadores, perto da Baía das Gatas, na ilha de São Vicente, estão partindo pedra, usando apenas a força dos seus braços. Num estilo que faz lembrar os tempos coloniais, o capataz limita-se a observar os outros trabalhadores.
Estes pedaços de pedra são usados na construção, nomeadamente nas ruas e estradas. O alcatrão ainda é pouco usado em Cabo Verde. Muitas dessas obras públicas foram promovidas em épocas de grandes secas, como um meio de auxiliar as populações sem trabalho. Essas acções foram, desde a independência, integradas nas chamadas FAIMO - Frentes de Alta Intensidade de Mão-de-Obra, que garantiam um rendimento mínimo às populações afectadas pelas secas.
Apesar das secas e da falta de recursos naturais, Cabo Verde é um caso de sucesso no aproveitamento do auxílio internacional, apresentando actualmente um nível de desenvolvimento humano (por exemplo na saúde e educação) dos mais altos de África, aliado a uma estabilidade política inigualável.
Localização aproximada da pedreira: 16.9101353, -24.9136877.
Foto digitalizada e passada a preto-e-branco.
As elsewhere, in the barren islands of Cape Verde the harder the work, the lower the income.
These workers are cutting stones into smaller pieces, which will be used in construction, namely for road surfacing. They use only the force of their own arms. Perhaps as a heritage of colonial times, there is a team leader that does nothing but watching. Despite the droughts and the absence of great natural resources, Cape Verde is a success story in the use of international aid.
Photographed near Baía das Gatas, São Vicente Island.
Scanned and transformed in black and white.
Approximate location of the quarry: 16.9101353, -24.9136877.

~-~
Flagelados do Vento-Leste (Ovídio Martins)
Nós somos os flagelados do Vento-Leste!
A nosso favor
não houve campanhas de solidariedade
não se abriram os lares para nos abrigar
e não houve braços estendidos fraternamente para nós
Somos os flagelados do Vento-Leste!
O mar transmitiu-nos a sua perseverança
Aprendemos com o vento o bailar na desgraça
As cabras ensinaram-nos a comer pedras para não perecermos
Somos os flagelados do Vento-Leste!
Morremos e ressuscitamos todos os anos
para desespero dos que nos impedem a caminhada
Teimosamente continuamos de pé
num desafio aos deuses e aos homens
E as estiagens já não nos metem medo
porque descobrimos a origem das coisas
(quando pudermos!...)
Somos os flagelados do Vento-Leste!
Os homens esqueceram-se de nos chamar irmãos
E as vozes solidárias que temos sempre escutado
São apenas
as vozes do mar
que nos salgou o sangue
as vozes do vento
que nos entranhou o ritmo do equilíbrio
e as vozes das nossas montanhas
estranha e silenciosamente musicais
Nós somos os flagelados do Vento-Leste!

plimrn, TeresaT, cengiz, Amaz has marked this note useful

Photo Information
Viewed: 3915
Points: 11
Discussions
Additional Photos by Francisco Santos (xuaxo) Gold Star Critiquer/Gold Star Workshop Editor/Gold Note Writer [C: 4896 W: 319 N: 4862] (6854)
View More Pictures
explore TREKEARTH