
jmdias 2009-06-14 8:48
chico
muito boa esta cena de rua e as vendedoras ambulantes, semelhantes ás cholas da bolívia e peru, que vendem alimentos nas esquinas. muito boa a luz de sombra, que ilumina suavemente as mulheres e traz boa definição de detalhes.
sim, é verdade, muitas vezes os locais mais sofridos acabam sendo os que tem maior progresso. muitas vezes os excessos de riqueza do território atraem muita cobiça, guerras e parasitas. veja o caso do petróleo, os países que o possuem aos montes tem grana mas não avançam, se acomodam, o dinheiro não vai para onde deve ir. o que ptgl fez com o ouro das colônias ? não o empregou em nada que gerasse mais riqueza e quando a mina secou ficou sem nada..., os argentinos alcançaram um nivel de renda imenso no início do século 20 e hoje são um país meio que falido. mais vale alguém administrar bem de uma pequena propriedade de fraca terra que ter uma grande fazenda e deixá-la ao abandono, sem produzir nada, um é sempre maior que zero. é o caso de cabo verde, usaram aquilo que tinham, não ficaram se matando pelo poder..
abraços
jorge
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#1
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Em continuação do que escrevi na nota, posso acrescentar que as grandes fomes e mortandades assolaram Cabo Verde até bem dentro do século XX; houve gente com fome até à independência em 1975. O governo de Cabo Verde independente fez ponto de honra nunca mais ninguém morrer de fome nestas ilhas. Além de boa administração do pouco que havia, os cabo-verdianos fizeram um grande esforço diplomático, antes e depois da independência. Durante os anos da guerra fria, Cabo Verde seria dos poucos ou único país que recebia ajuda tanto do bloco soviético como do bloco ocidental. Ao contrário de outros países, em que chega a comida e esta é simplesmente dada aos necessitados, Cabo Verde não distribuia a ajuda desse modo. Os bens recebidos da ajuda externa eram vendidos pelo governo, naturalmente a um preço muito baixo, de acordo com as possibilidades dos mais pobres. Desse modo o governo cabo-verdiano procurou incentivar as pessoas a trabalhar para comer, em vez de ficarem simplesmente sentadas à espera da ajuda externa. Com esse dinheiro, por outro lado, o governo foi fazendo alguns investimentos. Uma das fontes de rendimento dos mais pobres eram as chamadas FAIMO - Frentes de Alta Intensidade de Mão-de-Obra. A troco de algum dinheiro as pessoas iam trabalhar em obras públicas simples, mas necessárias, como reparação de estradas, limpezas, etc. Além disso, o governo geria os poucos recursos de um modo muito rigoroso. Por exemplo, nos primeiros tempos, a independência só era festejada de 5 em 5 anos, para não gastar dinheiro em celebrações. Outro exemplo que eu já tenho dado é a primeira embaixada de Cabo Verde em Lisboa. Era simplesmente um quarto de hotel, com uma cama e uma cadeira; o embaixador sentava-se na cama, o visitante sentava-se na cadeira. E assim, em pequenos passos, a ex-colónia portuguesa mais pobre e com menos recursos transformou-se num dos países com melhor nível de vida de África. O problema é realmente a falta de chuva e de recursos naturais. Têm procurado petróleo nas águas entre Cabo Verde e a Mauritânia, mas eu costumo dizer que é melhor não o encontrarem. Mais vale paz e pobreza do que guerra e riqueza (só para alguns). No entanto, acho que Cabo Verde com petróleo muito provavelmente faria bom uso dele. Francisco |
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